Três meses após cirurgia de pâncreas, mulher descobre gravidez

Três meses após cirurgia de pâncreas, mulher descobre gravidez

Descobrir um tumor aos 26 anos e no pâncreas, uma doença com alta taxa de mortalidade, é algo que ninguém espera. Mas além do tumor, veio uma outra surpresa pouco depois: uma gestação três meses após passar por uma cirurgia para a retirada do nódulo.

A enfermeira Camila de Miranda Saito diz que no começo de 2020 teve um mal estar e achou que era virose pois estava com diarreia e vômito. Ao procurar o hospital, a médica avaliou que o abdômen estava rígido e cogitou alguma alteração no pâncreas. Vários exames, tomografia e uma ressonância magnética fecharam o diagnóstico em março de 2020, no início da pandemia no Brasil. Camila estava com tumor de Frantz, localizado na cabeça do pâncreas.

“Fui então encaminhada para o gastrocirurgião, o dr. Belotto, e ele disse que eu precisava operar o quanto antes pois nesse tipo de tumor não há tempo a perder”, lembra Camila. Em 20 de abril de 2020 ela passou por uma cirurgia robótica para a remoção do tumor onde foi possível extrair todas as células cancerígenas sem que ela precisasse de outros tratamentos, como quimio e radioterapia.

A cirurgia foi por via robótica e o médico conseguiu retirar todo o tumor. Belotto conta que, por a cirurgia robótica ser menos invasiva, não foi preciso receber transfusão de sangue.

Camila com a filha e o médico Belotto em consulta de rotina após a cirurgia

 

CIRURGIA NA PANDEMIA

Camila diz que a mãe cuidou dela o tempo todo e, por conta da pandemia, não pode receber visitas. “Por conta da pandemia, minha mãe também ficou direto comigo no quarto até a minha alta”. Com a imunidade muito baixa, ficou reclusa em casa longe dos amigos e familiares.

“Foram muitas chamadas de vídeo para enfrentar esse período difícil”, comenta. Até que três meses após a cirurgia, quando já tinha retornado ao trabalho em um hospital, achou que estivesse doente. “Estava com muita náusea e achei que era Covid. Até que fiz um exame e descobri a gravidez. Foi um baita susto”, confessa.

“Na hora procurei a minha oncologista e o dr. Belotto e os dois me tranquilizaram. Fui então fazer a ultrassonografia e a minha ficha caiu de que seria mãe ao ouvir o coração da minha filha”, comenta.

A gravidez transcorreu normalmente e, por conta de algumas alterações nas enzimas hepáticas e pelo risco da pandemia, ela foi afastada do trabalho com 28 semanas. A menina Livia nasceu no dia 23 de março, quase um ano após a cirurgia do câncer. “Ela foi o meu presente de renascimento. Jamais imaginaria que um ano depois estaria com uma bebê linda nos braços”.

Camila diz ser muito grata a Deus e a equipe médica que a atendeu. “O Dr. Belotto, com todo seu conhecimento, me proporcionou viver e ser mãe. A pandemia trouxe muitas notícias ruins, como várias mortes e o meu câncer, mas também trouxe minha cura e minha filha, então, tento sempre olhar o lado bom das coisas”.

 

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